PSDB – DF

Elas pelo Clima: preconceito, falta de financiamento e violência de gênero estão entre os maiores desafios das mulheres na política

Os desafios climáticos enfrentados pelas mulheres do Cerrado e o fortalecimento de lideranças políticas femininas foram os principais temas debatidos na conferência Elas pelo Clima, promovida nesta quinta-feira (02/10) em Brasília (DF) pelo Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos (FNInMPP), em parceria com o Instituto Alziras e o Ministério das Mulheres. O PSDB-Mulher do Distrito Federal participou em peso do encontro, representado entre as palestrantes pela primeira governadora mulher do DF, Maria de Lourdes Abadia.

Os painéis foram mediados pela representante do Secretariado Nacional da Mulher/PSDB no Fórum, coordenadora da região Centro-Oeste, e também presidente do PSDB-Mulher DF, Luciana Loureiro. Também estiveram presentes as tucanas Suyanara Ribeiro e Marcia Uskert

A segunda mesa do dia, “Desafios e oportunidades para ampliar a participação política de mulheres no Brasil”, contou ainda com a participação das senadoras Augusta Brito (PT-CE) e Jussara Lima (PSD-PI); da cientista política Joluzia Batista, colaboradora da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB); Sandra Sena, secretária executiva da Frente Parlamentar Mista Antirracismo; Juliet Matos, representante da Secretaria de Mulheres do Cidadania; e Dora Pires, secretária nacional de Mulheres do PSB.

Primeira governadora do DF, Maria Abadia iniciou sua fala com uma visão histórica da discriminação da mulher, desde os tempos bíblicos até os dias de hoje, e contou de sua experiência como pioneira em um campo ainda dominado por homens.

“Na época da Constituinte, eram 532 parlamentares homens e apenas 26 mulheres. Nós tínhamos mulheres de todos os cantos e de todo o jeito. Quando chegamos no Congresso, a primeira coisa que a imprensa nacional fez foi apontar qual é a Constituinte mais bonita. Qual é a mais feia, a mais elegante, a mais mal vestida, as mais importantes”, relembrou. “A primeira coisa que nós detectamos no plenário do Congresso Nacional é que não existia banheiro feminino”, acrescentou.

“Hoje, menos de 20% das cadeiras do Congresso são ocupadas por mulheres, sendo que nós representamos mais de 54% dos votos. Isso é uma coisa que a gente tem que refletir. Se as mulheres são as maiores eleitoras, o que está acontecendo conosco? É falta de recursos, falta de coragem? Por isso, um encontro como esse é importante. Cada uma que está aqui é um elemento multiplicador”, considerou Abadia.

A senadora Jussara Lima relatou que foi a primeira mulher candidata a vereadora em sua cidade, Fronteiras (PI). “A partir dali, eu abri portas para outras mulheres. Temos nove vereadores lá, e já tivemos seis mulheres que vieram depois de mim”, disse.

“Lugar de mulher é onde ela quiser realmente, onde ela se sente bem. Chegando no Senado, compreendi que precisamos cada vez mais das mulheres na política, porque as políticas públicas para nós, mulheres, são pensadas, em sua maioria, por homens. A gente é que conhece a nossa realidade. Se não tivermos mais mulheres lá para brigar, para pedir e dar opinião, eles é que vão decidir tudo para a gente”, destacou.

Diversidade e financiamento 

Procuradora Especial da Mulher no Senado, Augusta Brito ressaltou que os questionamentos direcionados às mulheres que ousam ocupar os espaços de poder não se restringem à campanha eleitoral. 

“A gente tem que provar todos os dias que pode, que é pertencente àquele espaço, que está ali porque merece, e não pelo que lhe atribuem, seja um marido, um pai, ou um homem que respalde a sua estadia naquele espaço público. E aí, você tem que trabalhar cinco vezes mais. Para dar visibilidade, para mostrar que você sabe, que tem competência, para não decepcionar outras mulheres que ali se espelham de alguma forma”, avaliou.

“Essa dificuldade é bem maior se essa mulher for negra, indígena, porque aí vêm todos os preconceitos já construídos e estabelecidos pelo machismo estrutural, que fazem com que a gente, por muito tempo, também repita como se fosse natural a mulher não participar desses espaços”, pontuou a parlamentar.

Citando a autora e antropóloga Lélia Gonzalez, a secretária executiva da Frente Parlamentar Mista Antirracismo, Sandra Sena, apontou que o racismo e o sexismo não são problemas secundários, mas estruturantes. “Mulheres, negras e indígenas, estão em uma camada de exploração e invisibilização na política que é tão profunda que estrutura essa desigualdade em que a gente sobrevive”, disse.

“Vejo a política como um espaço de projeto de sociedade. Quando as mulheres estão à frente desse projeto, a gente vê que existem muito mais políticas de inclusão, políticas sociais, políticas que cuidam”, continuou.

Já a cientista política Joluzia Batista destacou a importância do financiamento:

“Quando a gente trabalha as pautas comunitárias e municipais, a agenda política que as mulheres trazem, que é a do cuidado, é a que tem menos chances de financiamento. Ninguém quer financiar os assuntos das mulheres. Isso também nos exclui dessas altas rodas da conversa sobre a política de infraestrutura, orçamento”, afirmou.

Violência política de gênero

Por fim, a secretária nacional de Mulheres do Cidadania, Juliet Matos, falou sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres que não possuem um mandato eletivo de conseguirem fazer política dentro de seus próprios partidos.

“A gente está ali enfrentando, todos os dias dentro dos partidos, a violência política de gênero. Durante o processo de aprovação da Lei de Violência Política de Gênero (nº 14.192/2021), estávamos incluídas na primeira versão do texto. Por uma questão de acordos, fomos retiradas, e aí ficaram só as mulheres candidatas, pré-candidatas ou eleitas. Aquelas mulheres que, depois que passa o processo de campanha, ficam com dívidas, que sofrem todo tipo de ameaça posterior para nunca mais tentarem, estão fora. Nós, que estamos dentro das executivas de direção do partido, municipal, estadual, nacional, também estamos fora [do escopo de proteção da Lei]. O problema é que a gente nunca para de receber violência, não é só no processo eleitoral”, completou.


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