A presidente do PSDB-Mulher do Distrito Federal, Luciana Loureiro, representou as tucanas nesta terça-feira (17/03) na Oficina de Encerramento do Projeto Elas pelo Clima, iniciativa do Instituto Alziras e do Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos (FNInMPP), em parceria com o Ministério das Mulheres.
O encontro reuniu lideranças femininas de todo o país para discutir gênero, raça e justiça climática, e promoveu oficinas em nove capitais brasileiras ao longo de 2025: Brasília (DF), Manaus (AM), Fortaleza (CE), Belém (PA), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Recife (PE), Goiânia (GO) e Porto Alegre (RS).
“O que a gente observa é que a questão da mudança climática afeta diretamente, e principalmente, as mulheres. Com essas oficinas realizadas em nove estados, e também com a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), conseguimos levantar dados importantes que facilitam muito a fomentação de políticas públicas e esse olhar transversal, que visa melhorar a vidas das mulheres e meninas do Brasil”, avaliou Luciana, representante do Secretariado Nacional da Mulher/PSDB no Fórum, onde coordena a região Centro-Oeste.
A tucana destacou ainda como as mudanças climáticas podem afetar o cotidiano da população de diferentes formas, em especial no caso das mulheres, que muitas vezes vivem diversas jornadas de trabalho ao longo de um único dia.
“Aqui no nosso quadradinho, no Distrito Federal, estamos tendo muitos problemas com enchentes. Uma mulher que sai de manhã, deixa o seu filho na creche, vai trabalhar, passa no supermercado e tem que voltar às 18 horas para buscá-lo, por exemplo. Se cai uma chuva muito forte no DF e alaga, ela não consegue chegar a tempo. O transporte público não funciona. Como é que fica a rotina dessa mulher? Se a gente parar e pensar o quanto questões como essa impactam a vida das mulheres, a gente vê como é importante ter mulheres que já ocupam espaços de poder promovendo essas discussões e tendo sensibilidade para esses temas”, exemplificou.
Entre as convidadas do evento estavam a negociadora chefe da COP30 e diretora do Departamento de Clima do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Liliam Chagas; a primeira-dama e enviada especial para Mulheres da COP30, Rosângela da Silva; a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; a ministra das Mulheres, Márcia Lopes; as deputadas federais Benedita da Silva e Juliana Cardoso; a representante adjunta da ONU Mulheres no Brasil, Ana Carolina Querino; e as diretoras e cofundadoras do Instituto Alziras, Michelle Ferretti e Marina Barros; além de secretárias de mulheres de 15 partidos políticos.
Participação feminina
“Esse encontro marca a culminância de um ciclo de formação que foi realizado ao longo de 2025 em nove capitais brasileiras e reuniu mais de 300 mulheres de diferentes partidos políticos, lideranças da sociedade civil, mulheres com mandatos, assessorias parlamentares e pré-candidatas às eleições de 2026”, pontuou Marina Barros, cofundadora do Instituto Alziras.
Já a diretora Michelle Ferretti celebrou a promoção de um espaço de debate pluripartidário. “A gente vive tempos muito difíceis no nosso país, e acho que as mulheres vão dando o exemplo que é possível a gente se unir nas pautas que interessam os nossos direitos”, disse.
Para a coordenadora do FNInMPP e secretária de Mulheres do Partido dos Trabalhadores, Anne Moura, a presença de mulheres na política, nos espaços de protagonismo e tomada de decisões é fundamental para a garantia de direitos já conquistados.
“Nós vivemos um cenário em que somos a maioria do eleitorado, a maioria da população, mas isso não se expressa nos nossos partidos. Uma coisa que temos em comum é que todas nós temos o mesmo desafio: conseguir ter mais mulheres na política. Para isso, a gente precisa dialogar sobre as nossas dores, nossas dificuldades”, afirmou.
Mulheres na COP30
O primeiro painel do dia discutiu os resultados e desdobramentos da COP30, realizada em novembro de 2025 em Belém, sob a perspectiva das mulheres. Ao iniciar a sua fala, a negociadora chefe da COP30, embaixadora Liliam Chagas, comemorou o lançamento do novo Plano Nacional sobre Mudança do Clima – Plano Clima, documento que deve orientar as ações de enfrentamento à crise climática no Brasil até 2035. Pela primeira vez, o plano inclui estratégias que incorporam a perspectiva de gênero na agenda climática.
“A COP30 foi um grande êxito para o regime multilateral do clima. Nós vivemos tempos difíceis. Muitos países não querem trabalhar em conjunto, querem seguir caminhos individuais, mas, para a mudança do clima, como a atmosfera não tem fronteiras, todos precisam ir juntos. O que aconteceu em Belém foi uma reafirmação de 195 países, quase a totalidade de países do mundo, de que para combater esse fenômeno, diminuir os riscos para as sociedades, nós precisamos caminhar juntos”, considerou.
Segundo a representante adjunta da ONU Mulheres no Brasil, Ana Carolina Querino, a COP realizada na Amazônia foi histórica porque contou com a participação popular.
“Foi uma COP histórica para nós que defendemos os direitos das mulheres na nossa diversidade porque, de fato, foi uma COP das pessoas. Não só pela participação social, mas como os temas relacionados à igualdade de gênero, aos direitos dos povos indígenas, da população negra, mulheres migrantes, pessoas com deficiência, e tantas identidades diferentes estavam refletidos nos documentos de negociação”, analisou.
Mulheres nas periferias
Por sua vez, a ministra da Igualdade Racial Anielle Franco lembrou que é impossível discutir justiça climática e gênero sem falar também sobre questões de raça, desigualdade e territórios marginalizados.
“Eu queria muito falar hoje de uma perspectiva óbvia de gênero e raça, mas também de uma perspectiva favelada, periférica, dessas pessoas que vivem em áreas de risco, vulnerabilizadas. Essas mulheres que estão ali são sempre as primeiras que, infelizmente, têm as suas casas desmoronadas. São sempre as primeiras que vão para os territórios que são, muitas vezes, apagados, que a gente quase não ouve falar quando não é época de enchentes ou deslizamentos”, constatou.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, reiterou que não se pode abrir mão da perspectiva de igualdade de gênero, raça e etnia na formulação de políticas públicas que atendam à população. Ainda assim, esse não é um debate fácil.
“Há um desafio imenso do ponto de vista de mudança de mentalidade, mudança cultural e de compromisso mesmo”, disse ela. “Na política, mesmo em campos antagônicos, o que a gente precisa entender é que nós mulheres também temos um outro sentido de sensibilidade, participação, coesão, partilha e solidariedade entre nós. Eu fui vereadora lá em Londrina (PR), e me lembro bem do que eram três mulheres em 21 vereadores, e a luta que as mulheres tinham para, todos os dias, se firmar no sentido de fazer uma outra política”, ressaltou.
Mulheres na política
Na parte da tarde, o debate foi sobre desafios e oportunidades para fortalecer o compromisso dos partidos com a participação política de mulheres no Brasil, e contou com a contribuição da jurista e ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Edilene Lobo; da coordenadora do Grupo de Trabalho de Prevenção e Combate da Violência Política de Gênero da Vice-Procuradoria Geral Eleitoral, procuradora Raquel Branquinho; e da presidente nacional do MDB Mulher, Kátia Lôbo. Também foi lançado o Manifesto pelo Compromisso dos Partidos com Mais Mulheres Na Política.


“O que a gente observa é que a questão da mudança climática afeta diretamente, e principalmente, as mulheres. Com essas oficinas realizadas em nove estados, e também com a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), conseguimos levantar dados importantes que facilitam muito a fomentação de políticas públicas e esse olhar transversal, que visa melhorar a vidas das mulheres e meninas do Brasil”