Às vésperas de um encontro com a presidente Dilma Rousseff, governadores do PSDB, principal partido de oposição ao governo federal, criticaram ontem (28) a possibilidade de o Congresso votar no retorno do recesso parlamentar novos projetos que aumentem os gastos públicos.
Dilma convidou todos os governadores, entre eles os da oposição, para a reunião de amanhã (30), em Brasília. A intenção do Planalto é selar um pacto pela governabilidade com os chefes do Executivo nos Estados e no Distrito Federal. Segundo o Planalto, todos confirmaram presença.
Em São Paulo, governadores tucanos indicaram que vão endossar o pedido da presidente para que ajudem a impedir que o Legislativo aprove “pautas-bomba” – aquelas que elevam as despesas e ameaçam o ajuste fiscal e gere gastos em cascata nos Estados.
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), afirmou que não interessa a nenhum governador “o prolongamento da crise econômica”. “É preciso conversar muito, todos nós, sobre as dificuldades que os governos enfrentam por causa da recessão”, disse o tucano, após participar da abertura de uma feira agrícola no centro de exposições do Anhembi, na zona norte de São Paulo.
Também presente no evento, o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), afirmou que a pauta do Congresso não pode “desencadear desequilíbrios” nas contas públicas, especialmente agora em que os Estados passam “por momentos de dificuldades”. “Já pedimos ao Senado e à Câmara que não votem pautas que imponham despesas e comprometimentos aos Estados sem previsão de receita. Porque nós já fomos surpreendidos por esse momento de dificuldades”, disse o tucano. “Essas pautas têm desencadeado uma série de desequilíbrios. “Eu acho que essa pauta deve ser comum, servindo à União e aos Estados.”
Para o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), é preciso evitar a criação de novas despesas. “Devemos ser responsáveis o suficiente para o quanto a crise está prejudicando o País e, consequentemente, todas as unidades da federação, sobretudo na arrecadação.”
Anfitrião do encontro, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), disse apenas que vai para o encontro com a disposição de defender medidas que gerem empregos.
O Planalto pretende mostrar no encontro com os governadores que, apesar das dificuldades, o governo tem rumo e poderá sair da crise.